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27/10/2020
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Após recorde em 2011, Grande SP ganha menos escritórios em 2012

Posted by Fred Rangel
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28
jan

Janeiro/2013 – Fonte: G1

Após 4 anos de altas, número de lançamentos diminui, projeta Embraesp. A região ganhou muitos prédios comerciais fora de eixos tradicionais.

Após crescer por quatro anos seguidos e registrar recorde de lançamentos em 2011, o mercado de escritórios na Região Metropolitana de São Paulo encerrou 2012 com menor número de novos empreendimentos sobre o ano anterior, acompanhando um cenário já ocorrido um ano antes com os prédios residenciais, aponta projeção feita pela Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). A estimativa da empresa é que o tenha fechado ano com pouco mais de 50 lançamentos e 8 mil unidades, superando US$ 2,3 bilhões com as vendas dos empreendimentos lançados.

Em 2011, foram 60 lançamentos, totalizando 13.042 unidades, o maior número desde 1985, quando a Embraesp iniciou as pesquisas. O valor geral das vendas totalizou US$ 3,2 bilhões. Em 2012 até novembro, foram 46 lançamentos e 7.144 unidades, em um valor de US$ 1,8 bilhão. “Era pífia a produção de escritórios em São Paulo e exatamente por isso é que tem ocorrido, nos últimos anos, um aumento expressivo nos números de empreendimentos (…). Havia uma demanda reprimida de pequenos conjuntos, mas o empresariado está extrapolando, precisa se atentar, porque todo mundo começou a produzir a mesma coisa e a demanda é limitada”, avalia o diretor da Embraesp, Luiz Paulo Pompeia.
Por conta do grande número de lançamentos, o especialista avalia que, em 2013, a desaceleração deve continuar no mercado imobiliário. “Este ano, o setor residencial deve ser um ano parecido com 2012 (há recuo de lançamentos no acumulado até outubro) e escritórios deve haver redução um pouco mais forte do que em 2012”, antevê.
Na avaliação dele, o que puxou a alta do setor de 2008 para cá foi a construção de pequenos conjuntos de escritórios fora dos grandes centros tradicionais da capital, localizados principalmente nas regiões das avenidas Paulista, Faria Lima e Berrini. “Essa situação relativamente nova de se procurar trabalhar próximo da onde se mora é um dos motivos que se procurou com a produção de pequenas salas nos bairros onde há tradição residencial. Se você sai da Zona Leste para trabalhar na Zona Sul, agrava o problema do trânsito. Em São Paulo, a imobilidade está fazendo que o paulistano mude a sua vida, procure trabalhar perto da onde mora. É um problema sério nas grandes cidades.”
A alta pode ser relacionada, ainda, com o crescimento do mercado de trabalho no país nos últimos anos. “Quando a economia do país vai bem, há uma tendência de crescimento nesse segmento, com a economia acesa, começam a chegar empresas de fora que precisam de escritórios.” Pompeia explica que, com a expansão recente, os prédios começam a ser espalhados pela Região Metropolitana. “Hoje, as regiões de Alphaville e Tamboré têm um grande número de empreendimentos e unidades. Na região do ABC teve um aumento expressivo, e em outros municípios, como Mogi das Cruzes, Suzano e Guarulhos”, avalia.
Na cidade de São Paulo, esses empreendimentos passaram a ter uma distribuição bem mais geral do que antigamente – quando a concentração era nos bairros como Itaim Bibi e Brooklin. “O resto da cidade tinha um vazio de escritórios. Nos últimos três ou quatro anos o processo foi ‘democratizado’, em bairros como Santana, Vila Maria (na Zona Norte) e também na Zona Leste, como Tatuapé e Mooca”, explica o especialista.
A capital paulista, contudo, segue liderando o número de lançamentos de escritórios. Até novembro de 2012, das 7.144 unidades, 5.173 estavam na capital paulista, apontam dados fornecidos pelo Sindicato da Habitação, com base nos números da Embraesp.
Se considerada apenas a cidade de São Paulo, a alta nos lançamentos de unidades comerciais acontece ano a ano, desde 2006, e ainda não foi interrompida. De janeiro a novembro de 2011 eram 5.146 unidades (patamar pouco inferior aos 5.173 de 2012).
Em 2012, contudo, a tendência é realmente de desaceleração até mesmo na capital paulista, avalia Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP. Ele analisa que o cenário é um “ajuste de mercado”. “Se chegar a ultrapassar (apenas na cidade de São Paulo), não vai chegar e ser como nos anos anteriores. Seguramente esse crescimento será menor do que vinha acontecendo”, diz.
“A demanda é diferente. Houve época que a participação das outras cidades no mercado imobiliário da Região Metropolitana chegou a ser quase 50%. Hoje ela está em torno de 30%, 35%, porque a demanda lá é muito mais limitada que em São Paulo. É diferente você continuar crescendo em São Paulo do que na Região Metropolitana, lá você pode ter atendido o nível de oferta”, avalia.
Seguindo Petrucci, em alguns casos o investidor acaba lançando novos empreendimentos comerciais porque é mais simples de obter aprovação. “Mas a gente nunca sabe qual é o limite de oferta da cidade. Nos últimos três anos, tivemos uma oferta em torno de 16 mil unidades comerciais. Não dá para falar que mesmo que tivesse terreno, continuaria tendo uma oferta tão grande assim de comercial’, analisa.
Outro fator, na opinião do economista, é com relação à falta de outorga onerosa (autorização, mediante pagamento à prefeitura, para a construção de prédios com número de andares acima do permitido pela lei de zoneamento). “Tem distritos em São Paulo que você não tem mais outorga onerosa para comercial. Também isso pode ter isso um fator de ter, entre aspas, inibido mais lançamentos comerciais. Quando não tem outorga, a viabilidade de um empreendimento é menor, se você tem outorga você faz mais metros quadrados”, explica.

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